O mundo é barulhento quando fala de homem. Diz que ele precisa ser duro, bravo, impiedoso. Que não pode hesitar, não pode chorar, não pode fraquejar. A cartilha é simples e cruel: vencer, dominar, resistir sozinho. A masculinidade do mundo é um ringue - quem cai, perde. Quem sente, apanha duas vezes.
Jesus aparece andando na contramão disso tudo.
Isaías já havia avisado: “Era desprezado e rejeitado entre os homens, homem de dores e que sabe o que é padecer” (Isaías 53:3). Um Messias que conhece a dor não combina com o estereótipo do macho invencível. Mas combina perfeitamente com a verdade.
Enquanto o mundo exige bravura agressiva, Jesus propõe outra força. Ele tinha poder para acabar com Roma em uma tarde, mas Ele diz: “Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração” (Mateus 11:29). Mansidão não é ausência de poder. É poder que escolhe não esmagar.
Cristo não grita para ser ouvido. Não ameaça para ser respeitado. Quando Pedro tenta resolver tudo à espada, Jesus o repreende (Mateus 26:52). Violência não é sinal de força espiritual; quase sempre é medo disfarçado.
O mundo ensina o homem a engolir o choro. Jesus, não. Diante do túmulo de Lázaro, mesmo sabendo que o ressuscitaria, “Jesus chorou” (João 11:35). Chorou com Maria, chorou com Marta, Ele não espiritualiza a dor alheia. Não apressa o luto. Ele sente.
A masculinidade de Jesus não foge da empatia. Ele toca o leproso que ninguém toca (Marcos 1:41), conversa com a mulher samaritana quando todos desviam o olhar (João 4:7–26) e defende a mulher condenada pela multidão religiosa (João 8:1–11). Não em sinal de fraqueza. Isso é coragem.
Enquanto o mundo associa masculinidade à imposição, Jesus redefine liderança como serviço. Na última noite, Ele se ajoelha, o mais poderoso do mundo na posição mais 'baixa' da sala, tira o manto e lava pés. “Se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros” (João 13:14).
O mundo entende grandeza como superioridade. Jesus chama isso de engano: “Quem quiser tornar-se grande entre vós será esse o que vos sirva” (Marcos 10:43).
A masculinidade do mundo também vive de vingança. Jesus, na cruz, pregado, nu, injustiçado... ora: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34). Isso não é passividade. É força que se recusa a ser moldada pelo ódio.
Ele não revida, não ameaça, não se defende com violência. Como escreveu Pedro: “Quando insultado, não revidava; quando sofria, não fazia ameaças” (1 Pedro 2:23).
Jesus escuta. Escuta cegos, crianças, mulheres feridas, discípulos confusos. Ele pergunta: “Que queres que eu te faça?” (Lucas 18:41). O mundo manda calar; Cristo ensina a ouvir.
A cruz é o ponto final da masculinidade do mundo. Ali morre o orgulho inflado, a violência travestida de força, o macho que precisa dominar para existir. “Como cordeiro foi levado ao matadouro” (Isaías 53:7), não por fraqueza, mas por fidelidade.
Paulo resume: “Ele se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Filipenses 2:8). A humilhação voluntária não diminui Cristo — revela Sua grandeza.
O mundo já produziu homens demais que sabem ferir, mas não sabem amar. Jesus forma homens que sustentam, que cuidam, que assumem responsabilidade sem esmagar quem caminha ao lado. Homens que choram quando precisam. Que pedem perdão sem vergonha. Que lideram servindo. Que são fortes sem serem cruéis.
Que tipo de homem nossas casas veem quando a porta se fecha?
Que tipo de masculinidade nossos filhos aprendem observando nossos gestos, nossos silêncios, nossas reações?
Que tipo de Cristo nossas esposas encontram no homem não que ora no culto, mas que vive no cotidiano?
Porque masculinidade cristã não se prova no discurso, mas na presença. Não no que se impõe, mas no que se sustenta. Não no volume da voz, mas na constância do caráter.
A pergunta final permanece: que masculinidade estamos imitando? A do mundo, barulhenta e frágil, ou a de Cristo, silenciosa e firme?
Seguir Jesus não nos torna menos homens.
Nos torna, enfim, inteiros.

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