Curtidas que passam, vidas que permanecem

Vivemos na era dos influenciadores. O mundo decidiu que influência se mede em números: seguidores, curtidas, alcance, engajamento. Quanto mais gente acompanha, mais importante alguém parece ser. Quanto maior a visibilidade, maior o valor atribuído à pessoa.

Mas Jesus nunca mediu influência dessa forma. Em nenhum momento Ele perguntou quantos O seguiam nas multidões. Pelo contrário, quando as multidões aumentavam, Suas palavras se tornavam mais exigentes. “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me” (Lucas 9:23).

Hoje, muita gente tem público. Pouca gente tem impacto. O mundo chama de influenciador quem viraliza. O céu chama de influenciador quem transforma vidas — mesmo quando ninguém está olhando.

Jesus resumiu isso de forma simples e profunda: “Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mateus 5:16). Note que o foco não está na pessoa, mas na glória dada a Deus. Influência, na lógica do reino, nunca termina em nós.

A Bíblia está cheia de influenciadores que jamais seriam tendência nas redes sociais. Pessoas quase invisíveis, mas decisivas. Gente que não aparece em destaque, mas sustenta a história da salvação por baixo.

Um deles é Ananias de Damasco. Seu nome aparece rapidamente em Atos 9, e logo desaparece. Mesmo assim, seu papel é crucial. Quando Deus o chama para ir ao encontro de Saulo, o perseguidor da igreja, Ananias hesita. Ele conhece a reputação daquele homem. Ainda assim, obedece.

“Ananias foi, entrou na casa, impôs as mãos sobre ele e disse: Irmão Saulo” (Atos 9:17). Naquele quarto simples, longe de multidões, a história muda. O perseguidor começa a ver. O futuro apóstolo é recebido como irmão. Ananias não escreve cartas, não lidera concílios, não fica famoso. Mas sem ele, talvez Paulo nunca tivesse começado sua caminhada cristã da mesma forma.

Ananias não ganhou seguidores. Ganhou um discípulo. E, por consequência, o mundo ganhou igrejas, missionários e cartas que até hoje moldam a fé cristã. Influência verdadeira nem sempre acontece em público. Muitas vezes, ela nasce na obediência silenciosa.

Outra influenciadora improvável é uma mulher sem nome em Samaria. Jesus conversa com ela junto ao poço, quebrando barreiras culturais, religiosas e morais. Aquela mulher não tinha prestígio nem boa reputação. Ainda assim, após encontrar Cristo, ela faz algo simples: volta à cidade e conta o que lhe aconteceu.

O evangelho registra: “Muitos samaritanos daquela cidade creram nele, por causa do testemunho da mulher” (João 4:39). Ela não pregou sermão. Não organizou eventos. Apenas disse: “Venham ver”. E uma cidade inteira foi impactada.

Os verdadeiros influenciadores do reino não precisam de imagem perfeita. Precisam de um testemunho sincero. Deus transforma gente comum em instrumentos eternos.

Há ainda personagens quase esquecidos, como Tíquico. Ele aparece apenas como alguém que levava cartas e notícias. Nada glamouroso. Nada público. Paulo, porém, o descreve como “irmão amado, fiel ministro e cooperador no Senhor” (Efésios 6:21).

Tíquico não brilhava no púlpito, mas sustentava a missão. Sem pessoas assim, o evangelho não avança. Nem todo chamado é para pregar. Alguns são para sustentar, encorajar e permanecer.

Jesus usou a imagem de uma lâmpada para falar sobre influência. “Ninguém acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire” (Mateus 5:15). Mas nem toda lâmpada precisa estar no centro da sala. Algumas ficam no corredor. Não impressionam visitas, mas impedem quedas.

Vivemos um tempo em que muitos querem ser holofote, e poucos aceitam ser luz constante. No reino de Deus, porém, o critério é outro. “O que se requer dos despenseiros é que cada um seja encontrado fiel” (1 Coríntios 4:2).

A pergunta que permanece não é quantas pessoas nos acompanham, mas quantas são alcançadas pela graça por meio de nossa fidelidade. O mundo celebra quem aparece. O céu honra quem permanece.

Talvez Deus não esteja chamando você para viralizar. Mas certamente o chamou para influenciar alguém. Porque, no reino de Deus, uma vida transformada vale mais do que mil curtidas.

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